
Metade das mulheres não fez rastreio
Região sul convocou 90 mil mulheres mas só 50 mil fizeram exame.
No ano passado, 90 mil mulheres foram convocadas pelos serviços de saúde para fazer o rastreio do cancro da mama na região sul, mas apenas 50 mil realizaram este exame. Ou seja, pouco mais de 50% das mulheres acabaram por fazer exame.
Os dados foram avançados por José Carlos Marques, radiologista no Instituto Português de Oncologia (IPO), um dos responsáveis pelo rastreio deste tipo de cancro em toda a região a sul do Tejo.
Das 50 mil que fizeram este diagnóstico ao cancro da mama, 900 foram convocadas para uma consulta médica por lhes terem sido detectadas alterações. Em 200 foi--lhes diagnosticada doença.
"Na maioria dos casos destas 200 mulheres, os cancros eram pequenos, com apenas 1,5 cm em média", explica José Carlos Marques, em declarações ao DN. Um factor importante para o tratamento. "Este cancro que se detectado cedo e a tempo é controlável", explica.
O cancro da mama mata em média 1550 mulheres por ano em Portugal. "Um número que pode baixar substancialmente se houver uma sensibilização das mulheres para este problema", explica o médico. "É isso que explica que pouco mais de 50% das mulheres convocadas para o rastreio não tenham comparecido", avança o radiologista. "Ainda há pouca adesão a estas iniciativas."
O rastreio do cancro da mama começou em Portugal apenas em 1990, na região centro, estendendo-se depois para a região norte.
Este tipo de cancro é o mais comum entre as mulheres - com risco de incidência dos 40 aos 50 anos -, mas também o com maior taxa de sobrevivência. "O diagnóstico precoce é uma vantagem para dar alguma qualidade de vida à doente e também baixar os índices de mortalidade", diz o médico.
"O ideal era que 70% dos rastreios pedidos tivessem sido feitos", conclui o especialista.
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